• Telma Miranda

Mulher-maravilha ou uma mulher possível?



Há um discurso dominante que incita o indivíduo a ser empresário de si mesmo. Ou seja, se dividir em dois — dono e escravo de si, ao mesmo tempo. A cobrança social passa a ser individual: tenho que dar conta de tudo. Os homens tem que ter sucesso, dinheiro, reconhecimento, objetos que demonstrem o que julga ter alcançado com seu esforço. E, sem perceber, se tornam escravos desses mesmos objetos. As mulheres “apenas” devem ser mulheres: esposa, dona de casa, mãe e profissional. E bonita. E se tornam igualmente escravas de uma ideia: “perfeição”. As consequências já conhecemos: exaustão, sentimento de fracasso, diminuição da libido e outros sintomas físicos e emocionais. O que fazer então? Não aceitar essas imposições? Reagir e largar tudo? Tentar novamente com mais eficiência?

Talvez o primeiro passo seja entender que há uma “imagem” cultuada que não é humana (tipo Mulher-Maravilha — uma mulher impossível) a qual nos submetemos para obter reconhecimento social. O segundo é perceber que, se é uma imagem, não é real: essa “perfeição” não existe. O terceiro passo é, a partir dessa consciência, construir uma mulher “possível”, uma mãe “possível”. Essa construção pode parecer hercúlea, mas ao mesmo tempo é simples: não ultrapasse os limites físicos e emocionais. Os limites servem exatamente para compor nossa integridade física e emocional.


Portanto, acredite, ser uma mulher “possível” é ser uma mulher com muito mais possibilidade de ser saudável e alegre. E uma mulher alegre por perto é tudo que precisamos. Uma mulher alegre, que dance todas as danças com seu próprio ritmo, seu próprio estilo, sua própria vitalidade. Uma mulher “possível” é capaz de muito mais do que julga.


Texto: Telma Miranda - Psicóloga/Psicanalista CLÍNICA CONTEMPORÂNEA — Atendimento presencial e via Web com total privacidade e segurança.⠀

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