• Telma Miranda

Setembro Amarelo não é só em setembro

Estamos em Setembro. Antes do início da primavera, no dia 10, a atenção se volta para uma questão presente e crescente em nossa sociedade: é o dia mundial dedicado à prevenção ao suicídio. Os dados são alarmantes. São 800 mil mortes por suicídio em todo o mundo.


Como prevenir?


O suicídio - embora pareça um ato impulsivo e incompreensivo - é, usualmente, um ato construído, ou seja, o indivíduo apresenta sinais sobre sua situação emocional. Prevenir é ficar atento a esses sinais.


Como identificar os sinais?


Geralmente os sinais se apresentam fisicamente (fadiga, insônia, alteração no apetite) e emocionalmente (apatia, sensação de inadequação, tristeza). Esses sinais podem ser interpretados de várias formas, dependendo de outros fatores. O importante é que, a partir desses sintomas, se identifique que é necessária uma avaliação física e mental. Procurar um psiquiatra e um psicólogo é o primeiro passo.


Os motivos que levam ao suicídio são diversos: predisposição genética (que pode ser disparada pelo uso de psicoativos), filosófico-existencial ( questões relativas a crenças e sentido da vida), ambientais e, especialmente, sócio-culturais. Neste sentido, toda a sociedade tem o compromisso de zelar pelos seus cidadãos. Uma pergunta que poderia ajudar na prevenção é: “Você gostaria de acabar com a vida ou com a vida que você está levando?” Se a resposta for a segunda opção, é possível, mediante mudanças sociais e ambientais, que se reverta um quadro de intenção suicida. Principalmente entre jovens e crianças. A sociedade precisa rever sua forma de existir, pois todas as áreas da vida estão sob cobranças e imposições muitas das vezes impossíveis de serem atingidas. No trabalho, nas escolas, no ambiente familiar. É comum o sujeito sentir-se incompetente, não compreendido e fracassado, mas é preciso “ouvir” os suicidas e pensar que não são eles os fracassados e sim que há uma sociedade que nos torna impotentes.




Como se pode ajudar?


1. Identificando o grau do risco da situação.


  • Se a pessoa tem ideação suicida, mas ainda é vaga, não tem planos nem meios → Neste caso, ofereça apoio emocional, um espaço de conversas e reflexão sobre seus sentimentos e sobre situações cotidianas. Isso é muito importante, pois pode estabelecer um laço de confiança fundamental.

  • Se a pessoa tem ideação e já fez planos → Neste caso ofereça apoio emocional, estabeleça confiança e negocie, com sinceridade e tranqüilidade, um tempo para procurar uma ajuda profissional.

  • Se a pessoa tem ideação, planos e meios procure ajuda imediatamente.


*** Sempre, em qualquer dos casos, ligue para o número 188. É o número do Centro de Valorização da Vida (CVV). Se possível, faça a ligação e fique ao lado da pessoa. Ou deixe-a sozinha. Enfim, o que for possível. São voluntários treinados para ouvir.



2. Criando um espaço de conversa:


  • Procure um lugar calmo onde a pessoa se sinta confortável e com privacidade.

  • O tempo não se conta no relógio. Fique disponível.

  • Faça contato visual, seja paciente.

  • Ouça. Inicialmente apenas ouça. Sem críticas, sem julgamentos, sem aconselhamentos. O diálogo inicia-se pela escuta. Ser empático, apoiar e respeitar o sofrimento é fundamental para a relação de confiança. Demonstrar seu cuidado, sua atenção, sua disponibilidade.

  • Após ouvir, diga como imagina que ele se sente, como você se sente, e como ambos podem lidar com a situação. Se disponibilize honestamente. A fragilidade dos laços afetivos é uma das razões do silêncio daqueles que planejam o suicídio. Portanto ofereça apoio e confiança se realmente for sincero. Ouvir e estar disponível são duas atitudes que podem ajudar muito.


3. Procure ajuda profissional. Médica e psicológica. E procure outras formas de ajuda, pois há diversas iniciativas na sociedade que estão a serviço da Vida.



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