• Telma Miranda

Um tanque de roupa suja tem o mesmo efeito que a terapia?

É provável que você já tenha escutado esse tipo de diálogo:

— Acho que estou precisando de terapia.

— Que nada. Um “tanque” resolve!

O que acontece com essas pessoas? Uma delas afirma uma necessidade e a outra não reconhece os sentimentos alheios e não pergunta os motivos: simplesmente nega e dá um conselho baseado na sua própria experiência.


A primeira pessoa, ao formular um desejo, sabe que algo não está bem e que talvez uma terapia ajudasse. Talvez nem saiba exatamente o que é, como se faz, mas tem intuição de que uma terapia pode ser de grande ajuda. A segunda pessoa, além de não fazer a menor ideia do que seja terapia, acha que “ter questionamentos” ou “precisar conversar com alguém” seria uma espécie de fraqueza e que se tivesse um “trabalho” (um tanque) não teria tempo sobrando pra pensar em bobagens.



A diferença entre as duas pessoas é que a primeira delas sente, sofre, mas valoriza seus sentimentos e deseja compreender mais a respeito de si. A segunda também sofre, mas não aceita sua própria fragilidade, se sente forte e menospreza os sentimentos.


Ambas poderiam se beneficiar de um espaço terapêutico, pois descobririam que ninguém pode saber mais sobre os seus próprios sentimentos do que você mesmo. Sim! Só você tem a “senha–de–si”.


No processo de terapia entramos em contato com nossos sentimentos, damos nomes a eles, sentimos e expressamos o medo, a angústia, as dúvidas. Até que em algum momento possamos compreender a nós mesmos e assim poder fazer escolhas que nos deixem mais saudáveis. Uma dessas escolhas poderia ser, neste diálogo, ouvir, olhar no olho do outro, sorrir e dizer:

— Talvez você tenha razão. Talvez o tanque funcione pra você. Mas eu escolho a terapia.

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