• Telma Miranda

Tristeza de fim de ano


As festas de fim de ano são muito apreciadas por todos. Aliás, nem todos. A princípio, são festas e, por isso mesmo, devemos estar todos felizes, comemorando (nem sei exatamente o quê). Para isso vamos às compras: presentes, comidas, roupas, plásticos coloridos e muitas outras coisas das quais não precisaremos mais em dez dias. Ora, esses presentes, os banquetes, a calcinha colorida, o sapato novo, o boneco inflável, tudo isso deveria então trazer a felicidade. Por quê, então, muitos de nós sentem uma tristeza profunda?


Um dos motivos é a ausência física de alguém que amamos. Como se no “Retrato do Natal” ou no “Selfie do Réveillon” estivesse faltando alguém — que deveria estar ali para também usufruir dessa felicidade. Há músicas, luzes, presentes, mas nada disso consegue preencher um vazio. Sim. A falta que sentimos nunca é preenchida por objetos. É uma ilusão. Uma criança quando quer um brinquedo ela na verdade quer a “sensação” que ela acha que esse brinquedo pode trazer. Por isso muitas vezes o brinquedo dura dez dias e vem o desinteresse, o vazio. Somos como essa criança. Queremos a “sensação” de felicidade que, nos dizem, está nessas festas; queremos uma alegria que, nos prometem, vamos encontrar na bolsa nova; queremos a felicidade de ter um parceiro que, insistem em dizer, virá se eu usar a cor certa da roupa. Ilusão. E é aí que a tristeza se instala.


O que queremos, o que realmente importa, é o gesto de amor, a delicadeza do outro, o abraço longo, o beijo desejado, o olhar amoroso, a escuta tranquila. E, sobretudo, poder estar em contato com a alma daqueles que amamos e que, por destino, não podemos abraçar. Só isso que importa. O resto é apenas resto.


PS: O melhor brinquedo para uma criança ainda é a bola e a boneca. Porque só assim ela terá alguém pra brincar com ela. O que ela quer, na verdade, não é o objeto e sim o outro: a relação de afeto.

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